17 de nov de 2009

COMO ESCOLHER e INSTALAR SUA PRIMEIRA ESTAÇÃO RADIOAMADORA

Segurança: Cuidado! Pode haver perigo

Numa estação de radioamador novato na atividade vimos um transceptor de 100 Watts excitando um amplificador linear de aproximadamente 800 watts, sendo que o linear estava posicionado no chão, um pouco à frente dos pés do operador. Suas conexões estavam completamente expostas, enquanto o seu filho de dois anos brincava no "shack".

Em outra oportunidade, visitando um jovem principiante que estava operando com um amplificador de 500 Watts construído por seu pai, com o circuito montado em um chassi aberto distante apenas uns 4 cms do manipulador de CW. Perigosa alta voltagem perto do operador, enquanto este trabalhava na maior alegria.

Nos dois exemplos os operadores não achavam que o risco era significativo, pois na verdade afirmaram que "não levariam choque porque sabiam que a voltagem estava lá e estavam acostumados a ser cuidadosos!"

Entretanto, segurança não é a única coisa a ser considerada nas estações de radioamador. Tem também o aspecto da conveniência e facilidade para o operador. É preciso organizar os equipamentos colocando as diversas peças em pontos estratégicos da bancada ou prateleiras.

Uma última e vital consideração diz respeito à ameaça de interferências por rádio freqüência nas TV's, em receptores AM - FM e equipamentos eletro-eletrônicos em geral. Pode-se fazer muita coisa para eliminar ou reduzir de forma significativa as interferências (se houver) na vizinhança. Este deve ser um objetivo importante para todos os radioamadores, independente de sua classe.

Componentes da Estação

Uma das maiores dificuldades que os radioamadores iniciantes encontram é decidir quais e quanto de equipamentos precisam ter para uma comunicação efetiva. Isto acontece com qualquer novo hobby adotado.

A natureza humana tende levar-nos a adquirir mais equipamentos do que precisamos ou orienta-nos para tipos mais sofisticados do que se precisa no momento. O melhor é aprender os fundamentos do radioamadorismo com um equipamento simples e eficiente.

Com este processo, evitam-se despesas desnecessárias. Vamos à lista e considerações sobre cada um dos itens.

1- Transceptores usados: comprar um equipamento usado é um meio econômico de se iniciar. Existem bons transceptores de HF de segunda mão no mercado, mas é importante que se reconheça a procedência dos mesmos. Preferencialmente compre por indicação de um radioamador experimentado.Dispense bastante atenção ao estado físico e eletro-eletrônico do escolhido, pois estas condições são as que farão diferença no preço e na satisfação do comprador.

2- Transceptores novos : a maioria dos novos aparelhos para o radioamadorismo existentes no mercado é compacta, tem circuitos sólidos e um melhor desempenho do que os antigos valvulados. Hoje a válvula sobrevive apenas nos amplificadores lineares de maior potência. Isto não significa que os antigos são insatisfatórios, pelo contrário. Na verdade isto implica apenas na ausência de alguns dos auxílios e mordomias disponíveis nos novos equipamentos. Portanto, alguns quesitos faltantes num equipamento valvulado das décadas de 70 ou 80 podem não ser defeito, e sim uma característica do limite tecnológico da época. Como exemplo atente para a estabilidade na frequência enquanto frio, nos primeiros minutos após o transceptor ser ligado. Mas prepare-se para dispensar bem mais QSJ para possuir algum desses estáveis e cheios de recursos transceptores modernos.

3- Antenas e acessórios: muitas dores de cabeça freqüentemente acompanham a decisão de comprar ou não comprar certos acessórios para a estação. A escolha da primeira antena pode ser uma delas. Uma satisfatória opção é optar pela antena de construção caseira, com esquemas e ensaios em revistas especializadas em radiomadorismo. Felizmente, não são exigidos muitos itens para a operação efetiva de uma estação radioamadora, embora muitos acessórios sejam bastante convenientes.

a) Medidor de estacionária - este equipamento é muito útil para ajustar a antena na mais baixa estacionária possível, quando a mesma é levantada pela primeira vez, depois disto serve como monitor para vigiar permanentemente o sistema irradiante. Usá-lo corretamente é importante para maximizar o rendimento da antena e, consequentemente, da própria estação. Nunca se esqueça que nenhum transceptor será melhor do que a antena em que ele estiver conectado. A antena é o coração de uma estação radioamadora.

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b) Sintonizador ou acoplador de antena - boa variedade destes aparelhos é encontrada no mercado e um novato pode com facilidade ter a falsa impressão que seja impossível operar sem um acoplador. No entanto a realidade é que se a antena escolhida estiver com uma estacionária em toda a banda menor que 2:1 pode-se não utilizar o sintonizador. Porém, se isso acontecer e o transceptor tiver o tanque final transistorizado (que reduz automaticamente a potência de saída na proporção da ROE enxergada), o acoplador torna-se uma ferramenta útil e necessária. Neste caso o sintonizador será usado para alinhar as condições entre a antena ou sua linha de alimentação e o transceptor. Alguns acopladores (dependendo do circuito usado) irão auxiliar também na redução de TVI. É fácil construir um acoplador caseiro e o custo será baixo se forem utilizados componentes sucateados.

c) Batedores, manipuladores e osciladores para CW - há uma certa mística ligada ao uso dos batedores tradicionais (verticais) ou as chaves eletrônicas (horizontais). Um batedor convencional pode ser encontrado por valores acessíveis, enquanto que uma chave horizontal para o uso em um oscilador eletrônico custará três ou quatro vezes mais. Osciladores e chaves eletrônicas são ótimos para transmitir CW rápido e de boa qualidade, na mesma proporção do nível de performance dos bons operadores. O mais econômico é começar com um batedor convencional .

A discussão acima pretendeu apenas traçar uma linha entre o que realmente necessário numa primeira estação e a coleção de aparatos desnecessários e dispendiosos que alguns iniciantes terminam adquirindo. O equipamento novo e mais caro pode vir (e certamente virá) mais tarde, depois que se aprendeu os fundamentos da operação e se ganhou conhecimento e experiência.

Valor de revenda: equipamentos de radioamadorismo, se bem cuidados e operados de acordo com o que determina o fabricante, podem ser vendidos sem nenhuma perda financeira e, às vezes até algum ganho sobre o que se pagou.

Arrumando a Estação

Uma disposição desajeitada dos equipamentos pode causar cansaço ao operador em pouco tempo. O equipamento precisa estar estrategicamente colocado e ainda se considerar o espaço livre sobre a mesa ou escrivaninha para acomodar os braços, lápis, papel e até quem sabe uma xícara de café! O local de instalação da estação varia com a disponibilidade de cada um. Pode ser um espaço pequeno, desde que totalmente dedicado à estação, ou seja, o uso compartilhado com outra atividade normalmente está comprometido. O local escolhido deve ser limpo, seco e bem arejado. Um aterramento eficaz é imperativo no interesse da segurança, da redução de interferência e para manter as voltagens indesejáveis de RF fora do rádio.

Colocando o equipamento na mesa

A maioria dos transceptores geram calor interno. Sendo assim, deve-se ter o cuidado de não bloquear a ventilação colocando uma peça rente sobre a outra. Deixe sempre espaço para a circulação do ar em torno do equipamento. O manipulador de CW ou microfone devem estar distantes da frente da mesa para permitir que o braço se apóie no tampo. A maioria dos operadores prefere posicionar a chave num ângulo de 20 a 30 graus de uma linha perpendicular à borda da mesa. Estas sugestões devem reduzir a tensão do braço e assegurar uma boa transmissão telegráfica. O transceptor deve estar colocado de forma que a leitura de freqüência seja facilitada.

Considerações sobre eletricidade
Antes de tudo, segurança! Vamos nos assegurar de que há um bom aterramento para a estação. E como se faz isto? Não é muito difícil aterramento com relação a AC e DC, mas a tarefa torna-se espinhosa com a energia da RF do transceptor.

Quando estamos em uma construção antiga onde a tubulação de água é de ferro, pode-se utilizar o encanamento como terra. Pode-se também enterrar uma barra de cobre diretamente no chão, a qual proporciona um bom aterramento.

Os fios principais que ligam a estação ao terra devem ser o mais curto possível. Condutores com diâmetros maiores ou barras largas de cobre são recomendados. Fios curtos auxiliam a reduzir induções indesejáveis, impedindo a passagem de correntes de RF (Rádio Freqüência). Todo equipamento de corrente alternada deve ser aterrado para prevenir o risco de choque. Isto também ajuda a evitar que a RF fique passeando indevidamente por outras áreas da estação.

Conseguir aterramento nos prédios é um desafio quase impossível. Tenha muito cuidado.

Em nome da segurança todos os pontos que carreguem voltagem AC, DC ou RF devem estar protegidos contra contatos acidentais. Isto significa que se deve ter gabinetes em todo equipamento que possua qualquer nível de voltagem perigoso.

Cabos de força AC, quando em mau estado, devem ser trocados imediatamente.

Como precaução adicional de segurança deve-se usar uma barra de saídas múltiplas para AC. É ruim e perigoso uma única saída da parede para diversos equipamentos, como por exemplo o uso de "benjamins". As barras de saída AC devem ser parafusadas na parte de trás da mesa ou escrivaninha, para evitar o visual desagradável de "floresta" de fios e tomadas aparentes. Todas as conexões elétricas devem estar bem firmes e íntegras. O conjunto de fios-terra torna-se mais durável e eficaz quando está "soldado". Uns fios retorcidos e um pedaço de fita isolante não são a técnica mais recomendada.

Interferências na Televisão - TVI

Há duas coisas que toda estação de radioamador deve ter: um filtro para AC e um filtro banda baixa para o transceptor. O filtro de AC e usado entre a fonte de energia do transceptor e a saída de AC. O filtro deve ser aterrado e deve estar o mais próximo possível do transceptor; deste modo, evita-se que a radiação de energia da RF atinja o cabo de AC antes de passar pelo filtro. Este filtro mantém a energia da RF fora da linha de força e ajuda a reduzir a interferência de TV.

O filtro passa-baixa (Low Pass) deixa passar toda a energia de RF até 40 MHz quando usado com um transceptor de HF, que nominalmente transmite nas bandas radioamadorísticas ( de 1,8 MHz a 30 MHz). As freqüências harmônicas que podem entrar na TV ou nos receptores de rádio são atenuadas pelo filtro. Este filtro deve ser aterrado e montado na saída de RF do transceptor. Conectores frouxos ou soldas mal feitas na linha de alimentação ou no sistema irradiante também podem causar TVI e RFI.

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